Falar sobre saúde mental é falar sobre cuidado e sobre a importância de perceber quando alguém ao nosso redor pode estar precisando de ajuda.
Nesse sentido, é justamente esse o propósito do Setembro Amarelo: conversar sobre a prevenção do suicídio e lembrar que cuidar da vida é uma responsabilidade que precisa continuar muito além do mês de setembro.
Além disso, mais do que uma campanha, o Setembro Amarelo nos convida a construir ambientes onde as pessoas se sintam seguras para dizer que não estão bem. Dessa forma, é possível pedir ajuda e encontrar apoio sem medo de julgamentos.
O que é a campanha Setembro Amarelo?
O Dia Mundial de Prevenção do Suicídio é celebrado em 10 de setembro. Primeiramente, a data foi criada em 2003 pela International Association for Suicide Prevention, em colaboração com a Organização Mundial da Saúde, com o objetivo de aumentar a conscientização sobre o tema e fortalecer ações de prevenção.
No Brasil, por sua vez, diferentes iniciativas ajudaram a consolidar o Setembro Amarelo ao longo dos anos. Instituições como a Associação Brasileira de Psiquiatria e o Centro de Valorização da Vida (CVV) passaram a desenvolver campanhas de conscientização. Consequentemente, o mês de setembro se tornou uma importante oportunidade para falar sobre saúde mental e valorização da vida.
Contudo, existe uma mensagem que precisa continuar presente durante todo o ano: cuidar da saúde emocional não deve acontecer apenas quando alguma coisa já está difícil. Afinal, conversar, acolher sentimentos e construir relações de confiança fazem parte da prevenção.
Setembro Amarelo: prestar atenção é uma forma de cuidar
Nem sempre conseguimos saber exatamente o que a outra pessoa está vivendo. No entanto, às vezes, mudanças de comportamento podem mostrar que alguém não está passando por um bom momento. Por exemplo, a pessoa pode se afastar dos amigos, perder o interesse por atividades de que gostava, ou demonstrar sentimentos frequentes de tristeza e desânimo.
Embora esses sinais não signifiquem, sozinhos, que alguém está em risco, eles podem ser um convite para algo muito importante: aproximar-se e perguntar se está tudo bem. Portanto, uma pergunta simples, feita com atenção e carinho, pode abrir espaço para uma conversa que, talvez, a outra pessoa ainda não tenha conseguido começar.
Como podemos ajudar um amigo durante o Setembro Amarelo e além?
Quando alguém compartilha uma dificuldade, é natural querer encontrar imediatamente uma solução. Todavia, nem sempre é isso que a pessoa precisa naquele momento. Na verdade, muitas vezes, o primeiro passo é simplesmente estar presente.
Escute com atenção Deixe a pessoa falar no seu próprio tempo. Acima de tudo, evite interromper, comparar experiências ou tentar convencer imediatamente de que “vai ficar tudo bem”.
De fato, escutar de verdade significa mostrar que aquilo que ela sente merece atenção. Sendo assim, frases simples podem ajudar:
- “Estou aqui para te ouvir.”
- “Obrigado por confiar em mim.”
- “Quer conversar sobre o que está acontecendo?”
- “Podemos procurar ajuda juntos.”
Evite diminuir aquilo que a pessoa está sentindo Mesmo com boa intenção, algumas frases podem fazer com que alguém se sinta ainda mais sozinho. Por exemplo, comentários como “Isso é só uma fase” ou “Tem gente passando por coisas piores” podem transmitir a impressão de que aquele sofrimento não é importante. Como cada pessoa enfrenta dificuldades de uma maneira diferente, acolher significa respeitar aquilo que o outro está sentindo, mesmo quando não conseguimos compreender completamente a situação.
Você não precisa resolver tudo sozinho A amizade pode oferecer apoio, companhia e acolhimento. Entretanto, um amigo não precisa — e nem deve — assumir sozinho a responsabilidade por resolver uma situação de sofrimento emocional. Por isso, quando percebemos que alguém está enfrentando uma dificuldade maior, é importante procurar ajuda de um adulto de confiança. Além disso, incentivar o acompanhamento de psicólogos ou médicos é essencial.
Especialmente no caso de crianças e adolescentes, conversar com familiares e professores pode ser um caminho seguro. Em suma, pedir ajuda a outra pessoa não significa quebrar a confiança de um amigo, pois, em situações de risco, procurar ajuda também é uma forma de proteger.
E se eu perceber que não estou bem?
Às vezes, somos muito bons em perceber quando um amigo precisa de apoio, mas temos dificuldade de reconhecer quando somos nós que precisamos conversar. Certamente, sentir tristeza, medo, ansiedade ou cansaço faz parte da vida. Porém, quando esses sentimentos se tornam muito intensos, permanecem por muito tempo ou começam a interferir na rotina, é importante não guardar tudo sozinho.
Diante disso, procure alguém em quem você confia. Pode ser um familiar, professor ou outro adulto que possa ouvir. Igualmente, conversar com um profissional de saúde é fundamental para compreender o que está acontecendo e encontrar caminhos para lidar com esse momento.
A escola também faz parte dessa rede de cuidado
A escola não é apenas um espaço de aprendizagem de conteúdos. Pelo contrário, é também um lugar de convivência, descobertas, desafios e desenvolvimento emocional. Por conseguinte, construir um ambiente onde os estudantes saibam que podem pedir ajuda faz parte de uma educação integral. Sem dúvida, empatia, respeito, diálogo e acolhimento são aprendizados importantes para a vida.
Onde procurar ajuda?
No Brasil, existem diferentes serviços que podem oferecer apoio. Por exemplo, o CVV — Centro de Valorização da Vida realiza atendimento gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia. Ademais, é possível procurar serviços de saúde como UBS, CAPS e hospitais. Por outro lado, em situações de emergência ou risco imediato, o SAMU pode ser acionado pelo número 192.
Valorizar a vida é estar presente
O Setembro Amarelo nos lembra de algo que deveria fazer parte de todos os meses do ano: ninguém precisa enfrentar momentos difíceis sozinho. Muitas vezes, cuidar está em uma conversa, ou mesmo em perceber que alguém ficou mais quieto. Em outras palavras, está em perguntar “como você está?” e realmente esperar pela resposta.
No Colégio Mundo Atual, acreditamos que educação também significa construir relações de respeito e confiança. Afinal, aprender a cuidar de si, perceber o outro e saber quando pedir ajuda são aprendizados que levamos para toda a vida.
Se alguma coisa estiver difícil demais, converse com alguém de confiança e procure ajuda profissional. Pedir ajuda é uma forma de cuidar da vida!